MEMÓRIA DO PROJETO
Uma arquiteta e um engenheiro civil buscaram o escritório para projetar seu novo lar, em um apartamento em Brasília datado de 1960. O principal desafio do projeto foi transformar um apartamento excessivamente compartimentado, em um espaço integrado, com ventilação cruzada e abundante iluminação natural. A proposta buscou valorizar as qualidades originais do edifício, como as amplas janelas nas áreas social e íntima e os cobogós da cozinha, ao mesmo tempo em que respondia às expectativas dos moradores por um ambiente mais fluido e contemporâneo.
A planta original do apartamento possuía uma clara divisão entre ambientes íntimos, social e de serviço. As divisórias faziam com que o aspecto vazado do apartamento não fosse totalmente aproveitado no dia-a-dia, fazendo com que a iluminação proveniente das grandes esquadrias que marcam a sala de estar não alcançasse a cozinha e a área de serviço, por exemplo. A reorganização dos espaços foi feita a partir do deslocamento do corredor original, o que ampliou a área dos quartos e reduziu uma parte significativa do apartamento destinada à serviço, que já não fazia sentido no morar contemporâneo do casal. Dessa forma, o quarto ampliado ganhou novo fechamento em vidro, para permitir a iluminação natural do corredor.
A sala, completamente integrada com a cozinha, exibe estrutura aparente nas duas extremidades. A cozinha por sua vez, acontece ao longo de uma bancada linear central ladeada por armários verticais nas duas laterais. Essa bancada é solta do piso por meio de uma estrutura oculta, garantindo leveza ao elemento central.
Um ponto fundamental do projeto foi a abordagem sustentável adotada em relação aos materiais existentes. O apartamento possuía grande quantidade de granito e mármore, que os clientes não desejavam utilizar da forma como estavam. Para evitar o descarte, a solução encontrada foi fazer um piso de granitina com retalhos de pedra, reaproveitando esses materiais de forma criativa e menos convencional, resultando em um tipo de mosaico que dialoga com o piso de taco em sua paginação retangular. O mesmo ocorre com os cobogós da fachada: o sol quando bate na cozinha, emula a estampa de retícula no piso, mesclando diferentes tramas.
Ainda, optou-se por enfatizar a estrutura original do apartamento, valorizando seu desenho e expressão construtiva. Essa decisão para revelar a identidade do edifício, integrando passado e presente em uma proposta coerente, funcional e sensível às qualidades existentes do espaço.



















